Aposentar e viver de renda em 15 anos

Aposentar e viver de renda em 15 anos

Você poderá dar adeus a seu emprego e passar a viver de renda daqui a 15 anos se fizer boas escolhas dentro de três grandes grupos de investimento. A forma mais segura é aplicando em títulos de baixo risco da renda fixa. O retorno deles, porém, é baixo, o que obriga o investidor a realizar aportes pesados, inacessíveis para muitos, até chegar a seu objetivo.

Para reduzir o esforço financeiro, é preciso assumir algum risco, já que só assim se conseguem rentabilidades maiores e, consequentemente, a necessidade de investimentos mais baixos. O caminho indicado por consultores financeiros, então, é construir o patrimônio em cima de um tripé: renda fixa, renda variável e investimentos internacionais.

Quanto preciso juntar em 15 anos? Segundo simulações feitas por especialistas de investimento consultados pelo UOL, é necessário poupar entre R$ 1 milhão e R$ 1,3 milhão para obter uma renda mensal de pelo menos R$ 5.000. Se o seu custo de vida for de R$ 10 mil, é necessário acumular o dobro. Se for R$ 15 mil, o triplo, e assim por diante.

Quanto investir por mês? Partindo do zero, o investidor que quiser chegar ao primeiro milhão em 15 anos terá que investir mensalmente algo entre R$ 3.500 e R$ 5.000 se colocar o dinheiro apenas nos títulos de baixo risco emitidos pelo Tesouro. Porém, caso os investimentos entreguem retorno duas vezes superior, o que só é possível assumindo mais risco, esses aportes podem ser reduzidos drasticamente para a faixa de R$ 2.000 a R$ 3.500.

As simulações se baseiam nos juros de hoje. Isso significa que as reservas do investidor e, consequentemente, os aportes, terão que ser maiores se os juros caírem e menores se os juros subirem.

Emprestar dinheiro a empresas ajuda a ganhar mais na renda fixa

Imagem: Getty Images/iStockphoto

Renda fixa tem opções mais vantajosas? Mesmo sem sair da renda fixa, você pode buscar retornos maiores combinando os títulos mais seguros do governo e de grandes bancos com investimentos em títulos emitidos por empresas.

No mercado de crédito privado, onde o investidor financia projetos de expansão de empresas, construção de imóveis ou até mesmo grandes obras de infraestrutura, o risco de calote (ou seja, de o investidor não receber os pagamentos prometidos) é maior. Porém, a remuneração é também mais alta.

É importante ficar atento às notas, os chamados ratings, que indicam o risco que você vai assumir se comprar os títulos privados. Veja também se existe cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para o caso de a empresa que emitiu o título quebrar.

Vale entrar em títulos que acompanham os juros básicos, os pós-fixados, nos quais o dinheiro rende mais quando os juros estão em alta, e também nos prefixados, nos quais o retorno não cai se os juros da economia recuarem.

Proteja-se sempre da inflação: Porém, é fundamental que o investidor esteja posicionado, sobretudo, em títulos indexados à inflação para que o dinheiro investido mantenha poder de compra durante o período de acumulação.

“Qualquer prêmio adicional de risco torna-se extremamente relevante. Daí a importância de uma carteira diversificada contendo partes em renda variável, renda fixa e crédito privado”, afirma Renato Lázaro Ramos, diretor de renda fixa da Empírica.

Onde investir na Bolsa?

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Imagem: Getty Images

Dica na Bolsa é diversificar empresas e setores: O sobe e desce das ações pode assustar, mas é na Bolsa que o investidor consegue retornos que não encontra na segurança da renda fixa. Você vai precisar peneirar boas ações e fundos imobiliários se quiser fazer o dinheiro render muito mais.

Também é importante ter recursos suficientes para investir em diferentes empresas, o que significa diversificar riscos e reduzir o risco de prejuízo.

Caso você faça algumas escolhas erradas, a perda será compensada por acertos em outros investimentos. Assim, com uma carteira equilibrada, não só entre empresas, mas também entre setores, você poderá perseguir retornos maiores ao mesmo tempo em que limita os riscos.

Qual a dica para investidor moderado? De acordo com Leo Dutra, analista de investimentos em renda variável e analista-chefe da Invius Research, investidores de perfil moderado devem dar preferência a bons pagadores de dividendos —isto é, ações que distribuem boa parte do lucro aos acionistas.

“Normalmente, são empresas mais estáveis, que não vão valorizar tanto, mas que também oscilam menos que as demais”, diz. Empresas em crescimento, que reinvestem boa parte do lucro e têm alto potencial de valorização, também devem estar no radar.

E como faz o investidor arrojado? O investidor mais arrojado, que topa assumir mais risco para chegar mais rápido a seu objetivo, pode considerar empresas em reestruturação, aquelas que sofreram descontos do mercado em virtude de uma fase ruim, mas que podem ter forte valorização se os seus projetos de reestruturação derem certo.

Tem medo de investir sozinho na Bolsa? Não se sente pronto para investir diretamente na Bolsa, falta tempo para acompanhar o mercado ou dinheiro para diversificar como gostaria? Avalie, então, fazer investimentos via fundos, onde um time de profissionais de mercado trabalha para encontrar as melhores destinações ao seu dinheiro em troca das taxas de administração e de performance.

“Temos acompanhado excelentes gestores que vêm superando o índice Bovespa. Em prazos mais dilatados, fundos de gestão ativa têm apresentado retornos superiores ao CDI [juros de referência da renda fixa] e qualquer outro índice de renda variável”, declara Wilson Barcellos, CEO da Azimut Brasil Wealth Management.

“Para acumular recursos de forma satisfatória, não devemos evitar o risco, mas entender que tipo de risco está alinhado com as necessidades no futuro”, afirma.

Investimentos internacionais são proteção contra crises

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Imagem: Getty Images

Qual a vantagem de investir no exterior? Mesmo que você tenha uma carteira diversificada de ações e fundos imobiliários, os seus investimentos estarão sujeitos a choques de crises tanto domésticas quanto internacionais que afetam o mercado como um todo. No entanto, você pode contratar uma espécie de “seguro” contra esse risco comprando ativos internacionais.

Como o dólar tende a se valorizar em momentos de tensão nos mercados, ter uma parte do portfólio atrelada à moeda fará com que seus investimentos não estejam completamente expostos às instabilidades da política e da economia no Brasil. Ao mesmo tempo, esses ativos representarão um amortecedor se o seu planejamento financeiro for impactado por uma grande crise vinda do exterior.

Uma forma de dolarizar seus investimentos é entrando em fundos cambiais e nas Bolsas de Nova York. Você pode abrir conta em corretoras que operam no maior mercado de capitais do mundo, ou, caso não queira tirar o dinheiro do Brasil, entrar em fundos que investem em ativos no exterior. Alguns deles têm cotas negociadas na Bolsa, os chamados ETFs.

Combinação de investimentos: “Basicamente, três investimentos não podem faltar na carteira de qualquer um que está poupando para viver de renda. O primeiro é buscar diversificação em moedas em proporção compatível com o perfil. Junto a isso, o investidor pode fazer uma composição de renda fixa, entre títulos públicos e crédito privado de diferentes indexadores, e renda variável, com ações e fundos imobiliários”, declara Daniel Miraglia, economista-chefe do Integral Group.

Não se arrisque mais do que pode

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Imagem: Victoria Gnatiuk/iStock

O que faço se tenho muito medo de perder dinheiro? Na hora de investir, não deixe a empolgação falar mais alto. Se você sente frio na barriga só de pensar nos altos e baixos da Bolsa, a renda variável deve representar uma parcela menor dos investimentos. Da mesma forma, investidores conservadores devem ter muita cautela ao entrar em títulos com baixas notas de risco de crédito.

Cuidado quando ficar mais velho: Quanto mais próximo do objetivo final do planejamento financeiro, menor deve ser o risco assumido. Afinal, você não vai querer voltar algumas casas do plano financeiro aos 45 do segundo tempo por conta de alguma aposta errada.

“Investir em ativos de maior risco e maior expectativa de retorno diminui substancialmente os aportes necessários. Mas, evidentemente, traz mais risco. Os resultados precisam ser acompanhados ao longo do tempo para evitar surpresas”, afirma Ramos, da Empírica.

Enfim, os investimentos precisam ser compatíveis com o seu perfil, o que envolve não apenas a tolerância a risco, mas também o estágio da vida, disponibilidade financeira e tempo para acompanhar e estudar como o mercado funciona.

Após o período de acumulação, foco nos geradores de renda

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Imagem: Vergani_Fotografia/Getty Images/iStockphoto

Como garantir a renda passiva para o resto da vida? Uma vez construído um patrimônio que lhe permita parar de trabalhar, o seu dinheiro deve ser direcionado a investimentos que geram renda. Entram nesse grupo os títulos do Tesouro que pagam juros a cada seis meses, assim como ações e fundos imobiliários que distribuem dividendos em maior volume e regularidade.

Esses ativos são recomendados por entregar renda antes de seus vencimentos e independentemente do momento da Bolsa. No caso das ações e fundos imobiliários, o investidor precisa estar sempre atento às opções que entregam os melhores dividendos, que podem variar.

Com certeza, se o investidor procurar por ativos como fundos imobiliários e ações boas pagadoras de dividendos, ele conseguirá, com facilidade, ter uma renda mais alta, dado que seus proventos acabam sendo maiores que os de títulos públicos ou rendas fixas privadas. Mas vale ressaltar que o investidor não precisa escolher um ou outro, é muito importante possuir ambos em seu planejamento para ter uma renda equilibrada.
Caio Tonet, sócio-fundador e head de renda variável da W1

Título do Tesouro que remuneram de acordo com a taxa básica de juros, o Tesouro Selic também é opção aos que pretendem não só viver dos juros de suas aplicações, mas também consumir a poupança construída.

Ainda que rendam menos quando os juros estão em queda, o investidor tem a tranquilidade de poder sacar o dinheiro aplicado nesses títulos a qualquer momento sem risco de prejuízo.

“Quando o investidor passar a viver da renda mensal das aplicações, a recomendação é que ele se torne mais conservador. Nesta fase, o investidor tem menos capacidade de correr riscos, já que estará dependendo exclusivamente dos investimentos para viver”, declara Fernando Siqueira, head de research da Guide Investimentos.

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