Endrick doma ansiedade para fazer 1º gol no Allianz em dia de título

Endrick doma ansiedade para fazer 1º gol no Allianz em dia de título

Endrick viveu uma noite inesquecível no dia em que o Palmeiras ganhou seu 11º título de campeão brasileiro e goleou o Fortaleza por 4 a 0.

A ovação quando ele foi substituído, aos 30 minutos do 2º tempo, teve barulho no nível de um gol. Quase tão alta quanto, de fato, foi a comemoração na primeira vez que ele balançou as redes no Allianz Parque, aos 19′. Ou como seu anúncio entre os titulares.

O gol coroou uma atuação muito boa de um jogador que é uma jóia. Mas que, do alto dos seus poucos 16 anos, mostra ainda uma constante ansiedade. Positiva, é verdade. Mas na qual cabe um controle, que vai aparecer à medida que o tempo for passando.

Endrick participou ativamente do jogo desde o começo. Com menos de um minuto, recebeu no meio e, no domínio, já se livrou de Lucas Sasha e Júnior Moraes. Ainda antes dos 2′, se fez de louco e quase roubou a bola de Fernando Miguel durante uma reposição.

Se Endrick se mostrava ansioso, também é verdade que seus companheiros estavam ávidos por lhe encontrar. Deu para ver que o garoto vem sendo peça importante nos treinamentos. Muitas jogadas ensaiadas passaram por ele. Muitas vezes era visível o trabalho dele de abertura de espaço para os companheiros.

No primeiro gol, ele tabela com Scarpa, mas, impedido, vê Rony receber e abrir o placar, aos 15′. Aos 30′, após o gol de cobertura de Dudu, Endrick foi o primeiro a abraçar o camisa 7, num encontro há muito sonhado pelos palmeirenses.

Na segunda etapa, aos 2′, ele já finalizava pela primeira vez, após cruzamento de Rony, um dos que mais buscou municiar o camisa 16. No lance do terceiro gol, mais uma vez, Endrick estava na área. O cruzamento de Dudu passou muito perto do seu pé, mas enganou a ele e a Fernando Miguel, indo parar no pé de Rony, que empurrou para a rede, aos 3.

Endrick parecia aflito. A vontade de ir às redes, um vício que ele começou a ter ainda no sub-11, era mais forte do que ele. Aos 16, ele tenta pegar rebote em chute de Zé Rafael. Até que, três minutos depois, vem a apoteose.

Dudu desce em velocidade pela direita e avança, como no lance do terceiro gol. Numa jogada que é sua marca, Endrick se antecipa e, um pouco antes do primeiro pau, empurra para a rede, aos 19′. E sai comemorando fazendo careta. Depois finge estar mancando, certamente brincando com alguém.

O garoto comemora, é abraçado por todos, o estádio vem abaixo. Mas a maior comemoração de todas aconteceu longe do gramado, num camarote. A câmera da transmissão da TV Globo encontrou Douglas, pai do jogador, chorando emocionado.

Douglas certamente se lembrava dos muitos nãos, como os de São Paulo e Santos, que ele e o garoto ouviram ao vir de Brasília para a capital paulista, quando ele só queria algum dinheiro, um emprego, para se manter na capital com o filho. Algo que o Palmeiras lhe deu em 2016.

Depois do gol, Endrick muda até de postura corporal. Ele se movimenta, corre, mas parece pisar mais leve em campo. Até ser sacado, aos 30′ e ouvir, mais uma vez, o torcedor gritar o seu nome.

Não será só Endrick que vai se lembrar dessa noite para sempre.

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