WEB SUMMIT: Unicórnios em extinção; CVCs (how to behave); Climate techs; Alexa everywhere?

WEB SUMMIT: Unicórnios em extinção; CVCs (how to behave); Climate techs; Alexa everywhere?

LISBOA — Jager McConnell, o CEO do Crunchbase, disse que surgiram apenas 24 unicórnios no mundo no terceiro trimestre, em comparação a mais de 140 no mesmo período do ano passado. Esse é o menor número desde 2018. 

“E não sabemos se os unicórnios que existem continuam sendo unicórnios. Muitos deles não estão levantando dinheiro agora com medo de descobrir o seu novo valuation,” McConnell disse no primeiro dia do Web Summit. “Acho que uma fração das startups que se chamam de unicórnios continuam realmente sendo unicórnios hoje.”

McConnell disse que está vendo um “esfriamento massivo” no mercado de venture capital, especialmente em alguns segmentos. “Quanto mais late stage, pior. Alguns setores como NFTs e fintechs também têm sofrido bastante. Os investidores estão parando um pouco para ver o que vai acontecer.”

Segundo ele, o status de unicórnio é algo que nem deveria ser celebrado. 

“Antes era algo que mostrava que a empresa estava perto de se tornar pública, fazer um IPO. Agora é algo para celebrar internamente… Eu sou contra unicórnios.”

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No mesmo painel, McConnell e Roxanne Varza, da Station F — um campus de startups em Paris que reúne mais de 1.000 empresas — discutiram os setores onde veem mais oportunidades.

“Não acredito muito no metaverso, mas sou muito bullish com VR e AR. Acho que os softwares e aplicações construídos para AR e VR têm o potencial de mudar a vida das pessoas de uma forma que não vimos na tecnologia ainda,” disse McConnell. “Só não construa o próximo The Sandbox [um metaverso]… Não precisamos mais disso.”

Roxanne disse ver um potencial enorme nas climate techs, startups que criam soluções para endereçar problemas relacionados às mudanças climáticas — como tecnologias de descarbonização, de captura de carbono já emitido e outras que ajudem a humanidade a conviver com a crise climática.

“Nos últimos seis a doze meses temos visto um aumento enorme no número de climate techs,” disse ela. “No começo do ano, tinha muitas startups de Web3 e NFT e muitos investidores buscando isso. O hot spot era esse. Agora, isso mudou: os investidores pararam de olhar para NFT e tem muita gente buscando climate techs.”

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Em outro painel, Seth Bannon, o founding partner da Fifty Years (uma firma americana especializada em climate techs), deu um dado que ilustra a ascensão dessas startups.

Segundo ele, 72 fundos focados em climate techs foram levantados apenas em 2021, captando cerca de US$ 13 bilhões. No período, foram investidos mais de US$ 40 bilhões em startups que atuam em soluções para o clima.

Neste ano, o ritmo continua positivo, apesar da virada do mercado de VC.

No primeiro semestre foram investidos US$ 26 bilhões no setor. No segundo, “o ritmo está um pouco menor, mas acho que vamos pelo menos conseguir igualar o que foi investido no ano passado,” disse ele.

Segundo ele, dos três nichos das climate techs (descarbonização, captura de carbono e adaptações), a Fifty Years investe mais de 90% de seu tempo e recursos nos dois primeiros. 

“Antes de buscar adaptações, precisamos tentar mitigar a mudança climática,” disse ele. No estágio atual, “não vamos mais conseguir evitar a crise climática, porque ela já está aqui, mas a escala dela pode ser reduzida com essas tecnologias.”

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Anderson Thees, o fundador da Redpoint eVentures e hoje no Itaú Unibanco, disse que os corporate venture funds ainda estão engatinhando no Brasil. 

“Nos Estados Unidos, o dinheiro dos CVCs é metade de todas as transações de venture capital. No Brasil, ainda é menos de 10%”, Anderson disse num painel organizado pelo escritório FM/Derraik, especializado em startups e venture capital. 

Segundo ele, “quanto mais os CVCs conseguirem se comportar como investidores institucionais comuns, e não como o departamento de M&A das suas empresas, mais valor vai ser gerado para todo mundo.”

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Daniel Ibri, da Mindset Ventures, uma gestora brasileira que investe em startups em Israel e nos Estados Unidos, considera improvável que startups do Vale do Silício aproveitem a vulnerabilidade das concorrentes brasileiras para entrar no País. “Eles têm seus próprios problemas. Todo mundo está vulnerável,” disse o gestor.  

Segundo ele, os VCs americanos que coinvestem com a Mindset têm dito que o volume de transações acontecendo nos EUA hoje é metade do ano passado. 

Falando no mesmo painel, Patrick Arippol – cuja Alexia Ventures foca em SaaS, IA e blockchain – disse que muitos fundadores ainda se recusam a aceitar os novos valuations, o que tem congelado muitos deals.

“O primeiro que sai do denial é o investidor de ativos líquidos, depois o late stage, depois o investidor de early stage, e por último os founders, porque eles têm convicção e paixão pelo negócio, como tem que ser,” disse Arippol, para quem o momento atual oferece “grandes oportunidades” para os investidores.

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“Alexa, onde você estará em oito anos?” 

Para Rohit Prasad, o cientista-chefe da Alexa, a assistente virtual da Amazon estará em todos os lugares e disponível para todas as pessoas. 

“Conforme os sensores forem evoluindo e tivermos mais sensores ao nosso redor — e em alguns casos em nós mesmos — a Alexa estará cada vez mais presente na vida das pessoas,” disse ele.

O repórter viajou a convite da Brivia, um grupo de comunicação especializado na transformação digital de grandes marcas. 


Pedro Arbex

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