Idosa que atacou Eddy Jr. perseguiu administradora e infernizou síndicos – 04/11/2022

Idosa que atacou Eddy Jr. perseguiu administradora e infernizou síndicos - 04/11/2022

Antes de atacar o humorista e músico Eddy Jr., 28, com ofensas racistas e acusações tresloucadas, Elisabeth Morrone, 69, já atormentava vizinhos e prestadores de serviço de seu antigo prédio em São Paulo.

O TAB conversou com a ex-administradora e um ex-síndico do condomínio onde a aposentada vivia, no bairro de Pinheiros. A reportagem também teve acesso a processos judiciais que mostram um comportamento errático. Morrone vive enrolada em questões legais e se sente constantemente perseguida.

A acusação mais recente contra ela é de racismo. Em 18 de outubro, Eddy Jr., que tem 1,5 milhão de seguidores no Instagram e 260 mil inscritos em seu canal no YouTube, a acusou de chamá-lo de “macaco, imundo, feio, urubu e neguinho perigoso”.

O artista contou que a aposentada não quis compartilhar o elevador com ele. Haveria dito que “não precisava passar por isso”, porque ele “não tinha que morar com gente” como ela.

Com a grande repercussão do caso, ocorrido em um prédio na Barra Funda, na região oeste da capital, novos detalhes sobre o comportamento da agressora foram revelados.

Imagem: Reprodução

Imagens de câmeras de segurança mostraram que Morrone e seu filho de 36 anos estiveram na porta do apartamento do humorista mais de uma vez. Em plena madrugada, o rapaz chegou a aparecer nas gravações carregando uma faca, e sua mãe, uma garrafa.

Elisabeth Morrone acusa Eddy Jr. de promover festas e fazer barulho à noite. Ela mora no quarto andar, embaixo do apartamento do humorista. A versão foi refutada por vizinhos, em entrevistas a diversos veículos. Eles também participaram de um protesto em defesa de Eddy. Uma vizinha afirmou que a aposentada também já a atacou com insultos racistas.

A aposentada disse que não conseguiu registrar as supostas algazarras noturnas porque teve seu celular hackeado e sua internet bloqueada. A explicação pode parecer extravagante, mas, para quem já teve de lidar com Morrone, causa no máximo olhos revirados e a expressão tranquila de quem não se surpreende.

Ana Maria Teixeira, administradora do prédio onde Elisabeth Morrone vivia - Gsé Silva/UOL - Gsé Silva/UOL

Ana Maria Teixeira, ex-administradora do prédio onde Elisabeth Morrone vivia

Imagem: Gsé Silva/UOL

Ex-administradora desistiu de carreira

“Essa mulher me perseguiu durante anos”, diz a advogada e dona de imobiliária Ana Maria Teixeira, 55. Em 1996, ela trabalhava na administradora responsável por tocar as questões condominiais do edifício em Pinheiros onde viviam Morrone e seu filho, que tem deficiência intelectual.

Tudo começou por causa da instalação da tubulação de gás. “A obra foi decidida em assembleia, mas ela [Morrone] e mais três condôminas entraram com uma ação para anular a decisão, porque não queriam pagar”, conta Teixeira. “Ela alegou que a assembleia tinha sido ilegal, o que não era verdade. Ofereci um acordo pelo qual seria possível parcelar os custos da obra. As outras três moradoras aceitaram. Elisabeth, não.”

Esse tipo de situação é comum em condomínios. O que veio em seguida não é. A mulher manteve sua ação contra a assembleia. Perdeu e, segundo Teixeira, começou uma perseguição que durou vinte anos. Obcecada com a ideia de que fora roubada pela administradora, Morrone chegou a ir à OAB contra a advogada.

“Mesmo depois de perder as ações e pagar o que devia, ela continuou atrás de mim. Eu a conheci em 1996, e até 2017 ainda estava me defendendo das acusações da Elisabeth na Justiça”, conta Teixeira. “Fui a pessoa mais perseguida. Todo dia tinha uma novidade e ela nunca mostrou uma única prova de que fiz algo ilegal.”

Eliaabeth Morrone, acusada de racismo contra Eddy Jr, deve depor nos próximos dias - Reprodução/TV Band - Reprodução/TV Band
Imagem: Reprodução/TV Band

Acusação contra juiz

Na época da confusão com a instalação de gás, Morrone era a inventariante de sua família. Ou seja, era a responsável legal por administrar o espólio familiar.

O apartamento em Pinheiros era parte desse espólio, mas Ana Maria Teixeira descobriu que ela nunca havia se mexido para fazer uma eventual divisão legal dos bens com outros familiares. Em outras palavras, sentou na papelada.

“O processo de abertura de sucessão iniciado em 1984 está há quase quatro décadas aguardando seu deslinde, sendo que não se verifica nenhum andamento processual nos últimos dez anos que efetivamente conduza o processo de inventário a seu termo final”, diz um trecho do documento ao qual a reportagem teve acesso.

Processada pelo condomínio, Morrone perdeu a condição de inventariante. O juiz nomeou uma inventariante dativa — uma pessoa de fora da família com poderes legais — para tocar a questão, decisão absolutamente corriqueira em casos do tipo. Mas Morrone não gostou e entrou na Justiça com um pedido para lá de peculiar: a suspeição do juiz do caso.

“Há interesse dos meritíssimos juízes no julgamento do processo em favor da inventariante dativa, já que ela é da confiança dos julgadores, tanto que foi nomeada por eles”, afirmou a defesa em seu pedido à Justiça. Para a reclamante, o juiz só nomeou uma nova inventariante porque ele, de alguma forma, obteria algum tipo de ganho pessoal com isso.

Arrombamento e fechadura trocada

O pedido contra o juiz foi rejeitado, e Morrone, proibida de entrar nos apartamentos que estavam no inventário. Não está claro se ela deixou o imóvel em Pinheiros por causa disso, mas os documentos obtidos pela reportagem mostram que ela tentou burlar a decisão. Em e-mail de 2014, a administradora de um dos apartamentos, no bairro de Campos Elíseos, conta que recebeu uma ligação dela.

A aposentada se dizia dona do imóvel, ameaçava fazer um boletim de ocorrência e avisava que iria trocar a fechadura. A porta do apartamento precisou ser arrombada e Morrone, mais uma vez, foi lembrada de que não era proprietária.

Ela entrou na Justiça alegando usucapião do apartamento de Pinheiros. Tentou recuperar a posse do imóvel com o argumento de que morou lá por muito tempo. Ao menos de acordo com o último andamento do processo ao qual o TAB teve acesso, desta vez ela venceu.

Agressão a síndico

“Meu ex-marido é promotor e a Elisabeth ameaçou até ir ao Ministério Público contra ele”, diz Teixeira. “Tem várias outras histórias sobre ela no prédio de Pinheiros. Um ex-síndico, que era homossexual, foi agredido por ela”, conta a advogada. “Ela brigava muito com ele e chegou a bater nele. Se não me engano, mordeu ou tentou morder a orelha dele.”

Ex-síndico do edifício onde a agressão teria ocorrido, P.D.* é outro que sofreu com as acusações de Morrone. Ele diz que não presenciou o ataque à la Mike Tyson contra o outro homem, mas ouviu a respeito. “Ela tem um desequilíbrio psiquiátrico bem acentuado. Sem prova alguma, acusou todos os síndicos que passaram pelo prédio”, diz P.D. “Chegou a ir à delegacia fazer um boletim de ocorrência. O delegado, que já a conhecia, não quis abrir e aí ela foi reclamar dele na corregedoria da polícia.”

Ele conta que mãe e filho brigavam muito. Às vezes, ela o colocava em situações constrangedoras. Por exemplo, a de distribuir comunicados por baixo da porta dos apartamentos. “Eu estava na sala de casa uma vez e apareceu um papel debaixo da porta. Era um comunicado a todos os moradores falando sobre supostos desvios de verbas do edifício”, diz o ex-síndico.

P.D. só faz questão de ressaltar que não se lembra de agressões racistas por parte de Morrone. “E ela tratava bem os funcionários na época. O problema dela era com quem administrava o prédio.”

Assembleia decide seu futuro

Eddy Jr. prestou queixa contra Elisabeth Morrone na noite de 19 de outubro. No dia 24, a Justiça de São Paulo determinou que a aposentada mantenha distância de pelo menos 300 metros de Eddy Jr., sob pena de prisão preventiva. Ela também está proibida de manter qualquer tipo de contato com o humorista e frequentar os mesmos ambientes que ele.

Nesta segunda-feira (31), os condôminos da Barra Funda deram o primeiro passo sobre o que fazer em relação ao caso. Em assembleia, eles ratificaram a multa equivalente a dez vezes o valor do condomínio por “comportamento antissocial” e aprovaram a proposta de medida judicial que pode terminar com o afastamento ou expulsão de Morrone.

“Entretanto, por uma questão legal, existe a necessidade da aprovação de três quartos dos condôminos, ou seja, 276 votos”, explica Diego Basse, advogado do condomínio. “Assim, também foi decidido manter a assembleia em sessão permanente por 30 dias até que o quórum legal seja atendido.”

Em outras palavras, como não houve participação suficiente, a decisão segue em aberto até que outros condôminos confirmem — ou não — a decisão. “A assembleia pode decidir pelo afastamento temporário [de Morrone] e, eventualmente, sua expulsão. Mas essa é uma questão delicada. O direito brasileiro não tem essa previsão, mas existem casos já julgados nos quais foi tomada essa decisão”, diz Basse. “E expulsão não significa perda da propriedade e sim a privação de seu uso por um determinado tempo.”

O TAB entrou em contato com o advogado de Elisabeth Morrone, mas Fermison Guzman Moreira respondeu que só irá se manifestar por meio do inquérito policial. Sobre as acusações de Ana Maria Teixeira, respondeu apenas que “qualquer coisa que essa mulher [Morrone] diga agora, está errada mesmo estando certa”.

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