universidade cria Enem no Fortnite

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Andando pelas ruas de São Paulo, Pedro viu um anúncio do Enemverso, um projeto da universidade Estácio de Sá para atrair jovens para a faculdade e trabalhar competências para o Enem.

É uma região no metaverso do jogo Fortnite, composta por cinco ilhas: Gaia (ciências da natureza), Humânia (ciências humanas), Expressiva (linguagens e códigos), Exatidão (matemática) e Ideária (redação).

Cada ilha traz um desafio próprio, numa mescla de competências manuais e intelectuais (tanto de gamers quanto de alunos). Se você tiver ambas e concluir o jogo com mais de 2.500 pontos, recebe um voucher para concorrer a uma bolsa de 100% na universidade. Ênfase em “concorrer” — você recebe a chance, não a bolsa.

É possível encarar essa possibilidade de duas maneiras:

  • uma forma inovadora de atrair à universidade jovens que preferem jogar a estudar
  • uma maneira criativa de ampliar a base de contatos da Estácio, que pertence a um dos maiores e mais poderosos grupos de educação privada do Brasil.

O Fortnite, já dissemos aqui, é um jogo online multijogador de sobrevivência e considerado um dos três maiores “games/metaverso”, juntamente com Minecraft e Roblox. São três milhões de jogadores online nesse momento, segundo o site PlayerCounter, sendo que 5% são brasileiros (aproximadamente 165 mil pessoas).

Ao entrar no jogo, e antes de abrir o mundo criativo do Enemverso, Pedro aproveitou para tirar a poeira e tentar uma partida de Battle Royale, o “jogo” que é o carro-chefe do Fortnite, um mata-mata com armas, explosivos e paragliders, onde 100 jogadores lutam até a morte, até que sobre apenas um.

Com uma técnica invejável e pouco heroica de correr e se esconder, aliada a um pouco de sorte, Pedro venceu sua primeira Battle Royale da história. Paulo, que tem tanta intimidade com um controle de game quanto com um taco de golfe, ficou apenas olhando.

Animado com a vitória, tentamos entrar no Enemverso.

Personagem corre rumo à entrada de uma das ilhas do Enemverso

Imagem: Reprodução/ Youtube/ Estácio

O jogo é para um estudante por vez. Você não interage com outros jogadores na partida.

Da tela inicial, acessamos as cinco ilhas. Três delas trazem desafios que nada têm a ver com Enem, provas ou educação de um modo geral.

São circuitos que exigem habilidades gamers —pular na hora certa, desviar das plataformas que caem— algo que cabe inteiramente no rol de habilidades de quem vive nesse universo, mas supera as parcas habilidades de Pedro, que anda enferrujado. Paulo então? Nem tentou.

Outras duas ilhas, no entanto, trazem desafios no estilo quiz e lembram as velhas revistas de palavras cruzadas.

As ilhas Expressiva e Exatidão trazem desafios de múltipla escolha, onde você escolhe a resposta certa com seu avatar. São questões de prova do Enem, que poderiam muito bem serem feitas em uma página web ou impressas e preenchidas a mão…

Aqui, a aventura no metaverso não traz nenhuma vantagem particular.

Tiramos nota 100 nos desafios de conhecimento, embora tenhamos gastado um bom tempo analisando alguns dos problemas de lógica —que nós não encarávamos fazia anos.

Já nos desafios de habilidade, tentamos um pouco e acabamos desistindo, cansados de tanto cair e recomeçar?

Paulo está começando um mestrado em comunicação digital e Pedro não tem interesse em voltar para faculdade tão cedo, então deixamos as bolsas para quem conseguir vencer o desafio.

Individualmente, as experiências não emocionam muito.

De um lado, uma fórmula de joguinho tradicional e pouco inovadora. Do outro, conteúdos oferecidos de maneira bastante simples e pouco interessante.

Ainda assim, a soma desses dois modelos —conectados com uma recompensa real que é a chance de obter uma bolsa integral—, pode interessar aos estudantes e, no mínimo, comunicar com um público que “vive” dentro dessa plataforma.

Enquanto esperava o jogo carregar, Pedro falava com Paulo sobre Fortnite, interrompendo-o toda vez que Paulo dizia:

“Parece um joguinho”.

E é.

Para quem não vive o Fortnite —suas histórias, temporadas, avatares e diversas criações— tudo parece um grande joguinho.

Mas para as novas gerações de jogadores, esse metaverso é bem mais que isso.

É ali que os jovens se encontram, assistem a shows como o do Emicida, desfilam em passarelas da moda e disputam partidas alucinadas até sobrar apenas um.

Agora, aparentemente, também podem concorrer a bolsas na universidade.

Além disso, tanto os games quanto o ensino universitário privado são coisa de gente grande, seja no Brasil ou no mundo.

A indústria de videogames foi avaliada em US$ 197 bilhões em 2022 e as estimativas preveem que chegue aos US$ 268 bilhões até 2025.

A Yduqs, empresa controladora de universidades como a Estácio e o Ibmec, tem mais de 17 mil funcionários e 1,3 milhão de alunos.

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